‘ESG é muito mais do que uma sigla, é uma atitude de gestão responsável’, analisa Vitor Bidetti, CEO na BREI

Escrito ou enviado por  Victor Hugo Gonçalves Carvalho

Fonte: https://www.segs.com.br/seguros/262378-esg-e-muito-mais-do-que-uma-sigla-e-uma-atitude-de-gestao-responsavel-analisa-vitor-bidetti-ceo-na-brei

Seminário promovido pela Integral BREI tratou do futuro dos investimentos no Brasil sob os parâmetros Ambiental, Social e de Governança

O ESG (Environmental, Social and Governance ou, em português, Ambiental, Social e de Governança), que antes poderia ser considerada uma nova fronteira, agora se transformou em uma agenda para todos os que participam do universo dos investimentos no Brasil, sejam gestores, órgãos fiscalizadores ou entidades de classe. Este foi o resumo do seminário realizado nesta quarta-feira, pela Integral BREI, que debateu com grandes empresas, fundos de investimentos, fundos de pensão, family-offices e seguradoras sobre o futuro dos negócios no setor imobiliário.

De acordo com Vitor Bidetti, CEO na Integral BREI (Brazilian Real Estate Investments), tratar o tema ESG é muito importante para adaptar o mercado brasileiro à realidade do que já acontece no exterior.

“Com o tempo, as empresas de fora do Brasil pararam de fazer negócios com empresas daqui exatamente por falta de certificação verde e agora há um movimento de mudança e adaptação no sentido recuperação do tempo perdido”, explicou.

Para ele, uma das coisas que a pandemia do coronavírus ajudou a acelerar, entre outras, foi a implantação deste conceito ESG em diversos setores, inclusive no imobiliário. “Na Integral BREI, somos pioneiros, com a criação de um fundo para implantação de Smart Cities, ou distritos de inovação, que consistem em bairros planejados, com muitas áreas verdes, energia renovável e tecnologia voltada para governança e segurança da comunidade, entre outras coisas”, ressaltou Bidetti, que falou sobre a expertise da BREI quando o assunto é ESG.

“Este é um tema que tenho carinho muito especial. Já trabalhamos tem algum tempo com este assunto e não estamos surfando nesta onda de agora, que virou moda, que é falar sobre investimentos em ESG. Participei de alguns fóruns há uns três anos e desde então temos acompanhado o tema e trabalhado sempre com certificados ESG em nossos projetos”, disse. “ESG é muito mais do que uma sigla, é uma atitude de gestão responsável”, completou.

Segundo Luiz Paulo Brasizza, Vice-Presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), o leque a ser trabalhado dentro da sustentabilidade é grande, pois vai além da ecologia. Passa por questões de gênero, sociais, raciais e outros aspectos que são importantes para as empresas e não só para os empreendimentos. O projeto pode ser sustentável, mas ele só fica aderente ao fundo de previdência se todas as empresas que o compõem forem sustentáveis.

“Essa sigla, ESG, que traduzida para o português ficaria ASG (Ambiental, Social e de Governança), agora no Brasil ganhou mais um ‘I’, que tem a ver com ‘Integridade’, vem ganhando cada vez mais destaque na visão dos investidores internacionais e criando uma vertente muito grande de desenvolvimento no mercado financeiro”, analisou Brasizza. “Diante disto, acredito que num futuro breve não teremos mais produtos no mercado financeiro sem essa certificação, inclusive nos fundos pensão. E aí está uma boa oportunidade de desenvolvimento”, continua.

Neste sentido, a B3 já criou um índice ESG, que é o primeiro de uma família de índices que está por vir. De acordo com Brasizza, as gerações X, Y e Z já nasceram preocupadas com a sustentabilidade, então, tudo terá de ter estes selos ou certificados ESGs para serem economicamente viáveis.

Brasizza também se mostrou preocupado com relação ao desenvolvimento estrutural do Brasil. “Tenho uma grande angústia com relação aos fundos estruturados e o saneamento básico no nosso país. A gente nunca vai poder dizer que somos um país sustentável se não houver investimentos na área de saneamento básico. Nós não conseguimos limpar o rio Tietê. E não basta apenas reclamar do governo. Temos uma questão cultural a ser tratada por todos os lados. Agora, o novo marco que deve sair, deve ajudar neste sentido”, analisou.

Com relação ao novo Marco Regulatório do saneamento, Bidetti revelou que foi criado um capítulo inteiro dedicado a incentivos para investimentos ESG no setor, para atrair investidores internacionais e fundos de pensão.

Sobre o futuro dos planos de aposentadoria no Brasil, com os juros baixos, Brasizza acredita que cada vez mais as pessoas que apostarem apenas na previdência pública estão perdendo dinheiro. “Então, para aqueles que não quiserem perder dinheiro ao longo dos anos, deverão migrar, cada vez mais, para os fundos de previdência particular. Haverá uma mudança na cultura e já a partir de 2021, quando a pandemia deixar de nortear as discussões e as pessoas passarem a analisar os números que já estão postos”, disse.

Segundo ele, a ABRAPP, a maior associação de previdência privada da América do Sul, já tem um comitê de sustentabilidade, com alguns pontos importantes: “Temos um guia com melhores práticas em sustentabilidade para todos os fundos de pensão; um outro guia para elaboração de relatório de sustentabilidade para as entidades; há uma política de sustentabilidade elaborada pela própria ABRAPP; e um guia prático de integração ESG na avaliação de gestores.

De acordo com José Carlos Chedeak, diretor de orientação técnica e normas da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), pelo fato de o tema ser muito recente, os parâmetros para obtenção de selos ESG ainda precisam ser mais elaborados e modulados.

“O ESG começou a ser discutido de três anos para cá e agora começa a ganhar força. No sentido de formulação de regulações, há um intuito de incentivar a política de investimento, fazer divisão por setor econômico e trazer transparência ao processo”, disse. “Quando se trata de normas de regulação, pode haver um encolhimento neste sentido. Pode se criar por acidente algumas travas no processo. Então, é preciso discutir um sistema de autorregulação quando se fala em ESG, em como formular relatórios ou estabelecer parâmetros”, completou.

Para ele, o desafio está em criar parâmetros de ESG que não se tornem barreiras intransponíveis para os investidores. “Temos a intenção de criar algo mais no sentido de orientação do que limitação, para que isto não atrapalhe os investimentos”, finalizou.